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Em 30 de junho de 1879, João Cardozo Cazumbá comprou uma fazenda denominada Sobrado na localidade Cruz. Tal aquisição foi consorciada com Manoel de Ferreira de Cerqueira. Ambos pagaram pelas terras, casa e benfeitoria 1: 800$000 reis (lê-se um conto de reis e oitocentos mil reis). De acordo com os dados disponíveis na escritura lavrada em 1879, pelo juiz de paz interino Francisco da Silva Mendes, a fazenda possuía os limites pelo lado sul com terras que ficaram de João do Mayo Machado, pelo oeste com que ficaram do Padre Gonçalo de Souza, e pelo leste e norte, com terras de Estevão Machado, tendo por baixo a Estrada Real.
Os dados que analisamos provem da escassa documentação disponível e principalmente de documentos históricos que encontramos em arquivos e cartórios, em notícias de jornais que circularam em Feira de Santana e São Gonçalo dos Campos nas três primeiras décadas do século XX. Como também utilizamos os depoimentos orais, os quais fornecem discursos que ora induz a um fato, outro se assemelha apenas a narrativa oral condicionada a interações sociais diversas.
Todavia, a diversidade de dados permitiu tecer os rastros desses indivíduos e nos levou por caminhos perigosos de terras movediças, uma vez que, o cruzamento dos dados da tradição oral com os documentos escritos induziu-nos no método de Zadig, esquadrinhando os rastros para que os vestígios viessem tomar contornos históricos. Neste sentido, o nome sobressai como ponto de partida para seguir as pistas ao longo dos caminhos que passaram os indivíduos.
Portanto, o caso particular de João Cardozo Cazumbá encerra em si as grandes linhas desta apresentação: a aquisição de terras, a produção agropecuária amparada pela mão de obra escrava e a riqueza dos moradores na Freguesia de São Gonçalo dos Campos no final do século XIX e início do século XX. Assim, problematizamos como as conjunturas históricas, sociais, econômicas, demográficas, culturais e políticas influíram nas tomadas de decisões, experiências, construções de redes sociais e relações familiares de ex-escravos, livres, libertos e dos seus descentes entre os anos 1877 até 1920 no Recôncavo agroexportador de tabaco, da produção agrícola de subsistência e na pecuária.
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